Provavelmente, nestes últimos dias, você deve ter sido impactado(a) pela notícia de que os jogadores da Copa do Mundo estão usando chuteiras rosas.

Eu achei bastante curioso esse fato quando percebi isso assistindo aos jogos. Imediatamente, passei a buscar o real motivo de isso ter acontecido, pois não era possível que todas as marcas concorrentes pensassem exatamente ao mesmo tempo em fazer chuteiras rosas — e no mesmo tom de pink.

Passei a ler todas as reportagens, análises de mercado e conteúdos que chegaram até mim para buscar essa resposta. Mas, até o presente momento, não obtive uma explicação que falasse de todas as marcas de forma unificada.

A busca por respostas além do óbvio

Vi conteúdos isolados sobre pesquisas de neuromarketing da Nike com os jogadores, artigos sobre a escassez ou janela de material de fornecedores na Ásia e até teses sobre a teoria das cores no esporte. Mas nenhuma reportagem respondeu ao verdadeiro xis da questão: por que cada marca escolheu o mesmo tom exato de pink?

Me recuso a acreditar que tenha sido uma campanha coletiva feita no ChatGPT, onde a inteligência artificial deu a mesma resposta para todas as equipes de criação.

Por outro lado, também me recuso a aceitar a ideia de que marcas globais e profissionais de marketing estejam apenas correndo atrás do algoritmo, sem ter as respostas para as perguntas certas e publicando apenas por publicar.

Será que estamos criando pensadores genéricos?

Essa padronização visual nos leva a uma reflexão mais profunda sobre o mercado atual: será mesmo que estamos criando pensadores genéricos, totalmente reféns do algoritmo?

Estes dias vi o Gregório Duvivier dizendo em uma entrevista que o algoritmo virou uma espécie de “Deus”, onde todo mundo faz exatamente o que ele pede para conseguir distribuição. No cenário atual do marketing de conteúdo e das estratégias de negócios, talvez ele esteja coberto de razão — o que é profundamente triste para a inovação.

Sobre a Autora

Thais de Barros é consultora de negócios e marketing estratégica, especialista em eficiência operacional e comportamento do consumidor. É fundadora daThais de Barros Consultoriae autora da newsletter semanal Mercado In Profundidade, espaço onde limpa o academicismo de artigos científicos para entregar insights práticos para o crescimento de PMEs.

Acompanhe análises diárias sobre mercado, cultura e comportamento em @thaisdebarrostf no LinkedIn e no Instagram.

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